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MÁRCIA Moreno, SC

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Técnica mista sobre tecido, 90 x 120cm, 2013

FRUSTRAÇÃO

Em seu trabalho denominado “Genesis: uma tentativa de criação”, a artista expõe na tela seus desejos, de maneira a provocar certo desconforto no observador ao mesmo tempo em que instiga a reflexão. Genesis é a origem de tudo e partindo deste contexto, podemos perceber que na obra pulsa o desejo por uma nova vida. A representação sobre o ventre deixa claro o desejo de gerar um novo ser, o desejo de ser mãe, mas por algum motivo este sonho foi interrompido, ficando assim a dor, o corpo sofre a perda. Segundo Lacan, nos construímos nas nossas perdas, quando perdemos algo que muito desejamos, perdemos também um pouco de nós, e esse pouco é exatamente aquilo que me identifica no outro. Sobre a pele a artista deixa emergir seus desejos mais íntimos, seus sonhos e desilusões. Através da arte faz uma escritura que dura e perdura nas suas perdas. Em seu corpo há a representação de um corpo fragmentado pela pulsão. Ao utilizar à arte a artista libera suas emoções interiores e divide com o observador seus sentimentos mais profundos, como uma espécie de desabafo e compartilhamento do seu sofrimento, desta forma, parece ser mais suportável o sentimento de dor. Seguindo o pensamento de Lacan, nos construímos a partir do outro, a imagem do eu se constrói orientada por um significante do outro, desta forma, podemos perceber que Márcia se coloca, se despe, se mostra de uma forma nua e crua, agora cabe a cada um fazer sua leitura desta escritura. “O olhar divide. De um lado, o fogo; do outro, o fogo. O ‘negrume do fogo’ é o incêndio da noite, frente ao incêndio branco da manhã. Entre esses dois incêndios – no espaço de uma fração de segundo, tempo dos esponsais do fogo -, a erupção de um rosto familiar”. (E. Jabès)

Sobre a artista

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