https://www.google.com/maps/d/u/0/viewer?ll=-30.024280463085628%2C-51.232222839236464&z=15&mid=1dQVuDlg5m6VVF7njxHTwVjUXCL8O7mFs
 

MARCOS Braga, SP

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Desenho sobre papel, 2015-2018

DESEJO DA ANCESTRALIDADE

A construção deste Avatar ou desta Catirina se dá pelo desejo e da busca ancestral. A face está caracterizada por uma caveira bovina, representando a origem de minha poética e matriz cultural, compreendendo a relação dos processos de migração, pois tanto o folclore nasce das relações de migração e diálogos culturais, bem como a criação deste animal vem de uma importação/migração para o país. Outro aspecto é a subversão do sagrado e colorido da cultura em uma imagem mais sóbria na coloração e com a face que representa o oposto da vida. O cabelo é a descoberta e a valorização do meu próprio cabelo crespo, pois quando mudei para São Paulo deixei pela primeira vez crescer, encontrando assim proximidade com os laços maternos, onde na juventude ela possuía cabelos mais crespos e do qual posteriormente usou química para mudar a textura. Processo este que passo a me reconhecer ainda mais como pessoa negra. As flores sobrepostas a este corpo de línguas é uma reflexão da capacidade de geração de vida ou narrativas que podem frutificar ou não; a possibilidade do poder vir a ser. Ao fundo é utilizada a imagem do bioma do Mangue que surge como uma pintura buscando uma relação ancestral entre o corpo e o meio em que se habita (no meu caso a ilha de São Luís do Maranhão do qual é rodeada por mangues); bem como uma relação com a Orixá Nanã; do lodo; da lama, do qual representa esse processo de diluição e decantação das informações e narrativas.

Sobre o artista

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