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3BIENALBLACK
Eixo (RE)imaginando o cubo preto

EIXO (RE)IMAGINANDO O CUBO PRETO

Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos

 

O eixo expositivo (Re)imaginando o Cubo Preto da 3ª Bienal Black promove uma interrogação profunda e inovadora dos espaços convencionais de exibição artística. Subvertendo o tradicional "cubo branco" das galerias e museus, este segmento da Bienal propõe uma reconfiguração do ambiente expositivo, convidando o público a um novo tipo de interação com as obras de arte. Nesta reinvenção, o espaço se torna uma extensão da obra, um componente crítico que dialoga diretamente com os temas de transitoriedade, migração e memória que permeiam toda a Bienal.

 

Ao (re)imaginar este cubo preto, a Bienal desafia a neutralidade supostamente asséptica do cubo branco e suas implicações de limpeza, ordem e isolamento das obras no contexto cultural mais amplo. O cubo preto, ao contrário, é concebido como um espaço que reconhece e incorpora a pluralidade, a intersecção e a dinâmica da arte contemporânea. Este espaço pretende ser um lugar de encontro, onde as histórias e as vozes das diásporas podem coexistir com a expressão artística local, permitindo que esses diálogos influenciem a apresentação e a interpretação das obras.

 

A escolha do eixo (Re)imaginando o Cubo Preto da Bienal Black, especificamente no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), reforça a visão crítica e inovadora deste segmento. O IPN, local de significativa importância histórica e cultural, está intrinsecamente ligado ao “descarte de corpos”, cuja história de migração forçada e às identidades que hoje moldam a cidade do Rio de Janeiro, resistem. Situado em uma parte da cidade marcada por intensos fluxos migratórios e uma relação com o passado colonial, o bairro da Gamboa onde está localizado o IPN após um processo de higienização urbana, enfrentou também a degradação urbana para hoje se tornar um local de resistência cultural e social.

 

Neste contexto profundamente simbólico e histórico, o cubo preto é transformado em um laboratório vivo para a exploração de como as identidades são formadas, reformuladas e entendidas. As obras apresentadas no IPN não somente dialogam com o espaço expositivo reimaginado, mas também ressoam com a própria história do local, onde cada peça se torna uma extensão das narrativas de resistência e existência. Este espaço, portanto, não é apenas um local de exibição, mas um ponto de convergência onde o passado e o presente se encontram, oferecendo uma nova perspectiva sobre as dinâmicas complexas do mundo contemporâneo.

 

Neste eixo, a Bienal Black não apenas exibe arte; ela provoca, interroga e reimagina o papel do espaço expositivo na construção de narrativas culturais. É um convite para que todos os visitantes não apenas vejam, mas também participem e contribuam para uma conversa contínua sobre o que significa criar e experienciar arte em nossos tempos. Através deste diálogo constante e evolutivo, "(Re)Imaginando o Cubo Preto" busca oferecer um modelo alternativo para a compreensão e apreciação da arte, um que seja verdadeiramente inclusivo, representativo e reflexivo das dinâmicas complexas do mundo contemporâneo.

Patrícia Brito

Curadoria Geral

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Crédito imagens: Isidoro Guggiana e Adenirê Lopes

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