top of page
Sem título-1 (1).png

Eu não me encaixo, como é que vim parar aqui?

Sabiá

Carmo do Rio Claro-MG
Ouça a descrição da obra pela(o) artista
Texto da obra em português
Artwork text english

Obra que traduz visualmente a sensação de inadequação vivida por muitas pessoas no espectro autista especialmente quando atravessada por marcadores como raça, gênero e classe . O título reflete na erplexidade de quem se vê forçado a se moldar a um mundo que não foi feito para sua forma de sentir, perceber e habitar o corpo. A pintura expressa o impacto do masking — o esforço contínuo de ocultar características naturais para corresponder a padrões sociais aceitos. Porém, quando essa experiência atravessa corpos negros, o mascaramento deixa de ser apenas uma tentativa de pertencimento e se torna também uma estratégia de sobrevivência diante de leituras sociais violentas, da hipervigilância e da desumanização. Essa adaptação constante, além de profundamente desgastante, raramente produz pertencimento genuíno. Pelo contrário: alimenta ciclos de exaustão emocional, ansiedade, baixa autoestima e isolamento. Pessoas negras no espectro frequentemente enfrentam o apagamento de suas necessidades, diagnósticos tardios ou negados, além de maior vulnerabilidade a relações abusivas e à ausência de redes de apoio. Para quem acredita que um diagnóstico na vida adulta não faz  iferença, é importante compreender que ele pode representar a ruptura com máscaras impostas historicamente e existir para além das estruturas

que não nos cabem.

This work visually translates the feeling of not belonging experienced by many people on the autism spectrum, especially when intersected by markers such as race, gender, and class. Its title reflects the bewilderment of those who are forced to reshape themselves to fit a world that was never designed for the way they feel, perceive, and inhabit their bodies. The painting expresses the impact of masking—the ongoing effort to conceal natural traits in order to conform to socially accepted norms. However, when this experience is lived through Black bodies, masking becomes more than an attempt to belong; it also becomes a strategy for survival in the face of violent social perceptions, hypervigilance, and dehumanization. This constant adaptation, while profoundly exhausting, rarely results in genuine belonging. Instead, it fuels cycles of emotional exhaustion, anxiety, low self-esteem, and isolation.

Black people on the autism spectrum frequently face the erasure of their needs, delayed or denied diagnoses, and increased vulnerability to abusive relationships and the absence of support networks. For those who believe that receiving an autism diagnosis in adulthood makes little difference, it is important to understand that such a diagnosis can represent a break from historically imposed masks, making it possible to exist beyond the structures that were never made to accommodate us.

Sem título-1 (1).png
bottom of page