
Bienal Black 2026
ARTISTAS (EM) CONVERSAÇÃO
Artistas (em) Conversação integra a programação da Bienal Black 2026 como um espaço de encontro, escuta e reflexão em torno de questões que atravessam a produção artística contemporânea, as práticas curatoriais e as experiências negras, não negras (mas refletidas em contextos afrodiaspóricos) e indígenas no Brasil.
Realizado em ambiente online, o programa reúne artistas, pesquisadores, curadores e agentes culturais em mesas temáticas que aproximam diferentes perspectivas, territórios e campos de conhecimento. Mais do que apresentar trajetórias individuais, os encontros propõem a conversa como prática de troca e produção de conhecimento, colocando em circulação experiências, pesquisas e modos distintos de pensar a arte e suas relações com corpo, memória, território, ancestralidade e sociedade.
As mesas serão realizadas ao vivo, via Zoom, e posteriormente disponibilizadas no canal da Black Brazil Art no YouTube, ampliando o acesso aos debates e constituindo um registro público do programa.
A participação nos encontros ao vivo é gratuita e requer inscrição prévia.
As vagas são limitadas, e as inscrições para cada mesa serão encerradas quando a capacidade disponível for atingida.
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06.10
19h
A pele como arquivo político
O que o corpo guarda: marcas, genealogias e memórias herdadas? A mesa reúne artistas e pesquisadores para pensar o corpo negro como arquivo vivo de histórias, ancestralidades e experiências atravessadas pelo colonialismo, e a arte como possibilidade de reativar, elaborar e devolver essas memórias ao próprio corpo. A mediação será conduzida pela artista Rita, mulher negra, cuja prática estabelece relações entre corpo, arquivo, memória e ancestralidade, atravessadas também por sua experiência com as tradições afro-brasileiras.
Mediação RITA OYAKANMI (SANTA CATARINA)
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Filha de Oyá. Escrevo com a luz, com Orí, oju e com okan, cabeça, olhos e coração. Costuro meus caminhos como artista visual com meus passos como mulher de asè, usando os pontos que aprendi com minhas mais velhas. Graduanda em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) e licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (2007). Integrei o “Programa de Residência Pedagógica em Artes Visuais” da CAPES, de 2022 a 2024. Compreendo meu trabalho como um movimento estético e político de contar histórias, narrativas e perspectivas silenciadas pela história eurocentrada. Criada no sudoeste paulista, hoje vivo e produzo em Florianópolis/SC.
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15.10
19h
Cura como linguagem: saberes ancestrais e prática artística
Banhos, ungimentos, trançados, rezas e folhas: como saberes ancestrais de cuidado atravessam e transformam a produção artística contemporânea? A mesa reflete sobre cura, memória e ancestralidade, pensando o corpo negro como lugar de conhecimento, resistência e reinvenção. A mediação será conduzida por um artista negro brasileiro, da periferia de São Paulo, cuja prática se aproxima das perspectivas do afro-encanto e das poéticas de cuidado, espiritualidade e encantamento.
Mediação DIOGO NÓGUE (SÃO PAULO)
+ BIO
É artista, escritor e pesquisador da afrodiáspora, residente em São Paulo. Mestre em Artes pela UNESP. Com mais de 15 anos de carreira, investigando através das linguagem do desenho, pintura e objetos o corpo negro, simbolismos e o encantamento como procedimento. Participou de diversas exposições coletivas e individuais como a “Mãos: 35 anos da mão afro-brasileira no MAM-SP/ Museu Afro Brasil” Vencedor do Prêmio Aquisição na 3ª Bienal Black Brasil em 2024. Como escritor tem dois livros solo publicados e participação em mais 8 títulos entre antologias, ilustrados e de arte como o Pretos Em Contos Vol.2 Finalista do prémio Jabuti de 2022.
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Crédito da foto Kris Dewitte
20.10
19h
Soberania visual: o direito de narrar o próprio corpo
Como a arte histórica e contemporânea reproduziu ou subverteu o olhar colonial sobre corpos negros e indígenas? A mesa reúne artistas e curadores para discutir imagem, representação e autorrepresentação, pensando a soberania visual como prática de disputa e reconstrução de narrativas. A mediação será conduzida por um artista africano da Guiné-Bissau, com atuação entre fotografia e literatura, e experiência entre África e Portugal.
Mediação WELKET BUNGUE (GUINE-BISSAU/PORTUGAL)
+ BIO
Welket Bungué *1988 (Guiné-Bissau) é artista transdisciplinar, de etnia balanta. O guineense-português, reside em Berlim, mas trabalha artisticamente ao nível internacional. É co-fundador da produtora KUSSA, faz locução para entidades internacionais, desenvolve Escrita Dramática, Argumento de Cinema, Performances e Teatro. É licenciado em Teatro no ramo de Atores ESTC/Lisboa) e pós-graduado em Performance (UniRio/RJ). Bungué é cooperador-membro da Fundação GDA, é Membro Permanente da Academia Portuguesa de Cinema desde 2015, membro da Deutsche Filmakademie desde 2020, e em 2021 tornou-se membro da Academia Europeia de Cinema. Bungué é artista integrante do Arsenal - Institute for Film and Video Art (Berlim), e desde 2021 que os seus filmes fazem parte do acervo da instituição.
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23.10
19h
Performatividade e dissidência: o corpo que se recusa a se enquadrar
Como corpos dissidentes desafiam normas de gênero, raça e sexualidade nas periferias e diásporas do Sul Global? A mesa reúne artistas e pesquisadores para pensar o corpo como território de criação, resistência e reivindicação de existência, tendo a dança e a performance como linguagens de desobediência e transformação. A mediação será conduzida por uma artista africana radicada em Portugal, atuante nas linguagens do corpo.
Mediação MARISA PAULO (PORTUGAL)
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Natural de Luanda, Marisa Paulo é artista e pesquisadora de danças e movimentos de matriz africana. Nos últimos anos tem focado a sua pesquisa sobre o corpo da mulher negra na Diáspora e, desde então, desenvolve o corpo performático assente na ideia da performance enquanto lugar político e de revisitação da sua ancestralidade, explorando conceitos como arquivo, pertença, ciclos e herança. É autora das performances FRAGMENTOS e IN(visível), que contam com apresentações em Portugal, Espanha, Alemanha, Bélgica e Brasil.
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30.10
19h
Racismo espacial: quem tem direito à cidade?
Remoções forçadas, especulação imobiliária e periferização: como o racismo estrutura as cidades e determina onde corpos negros e indígenas podem habitar, circular e construir suas vidas? A mesa reúne artistas, pesquisadores e agentes sociais para discutir território, desigualdade e disputa pelo espaço urbano. A mediação será conduzida pelo sociólogo Matheus Gato, cuja trajetória de pesquisa aborda relações raciais, cultura, pensamento social brasileiro e processos de racialização nos espaços urbanos.
Mediação MATHEUS GATO (SÃO PAULO)
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Pós-doutorando pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor (2015) e Mestre (2010) em Sociologia pela USP. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Foi pesquisador visitante no Hutchins Center for African and African American Studies da Universidade de Harvard (2017-2018) e na Universidade de Princeton (2013). Seus temas de investigação são: relações raciais, sociologia política e da cultura, pensamento social brasileiro, sociologia histórica, dos intelectuais, da literatura, dos regionalismos e dos processos de racialização nos espaços urbanos.
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03.11
19h
Casas sagradas: terreiros, aldeias e espaços comunitários como territórios de resistência
Terreiros de candomblé, aldeias indígenas, quilombos urbanos e manifestações populares: como esses espaços preservam saberes e organizam formas de resistência cultural, espiritual e política? A mesa reúne artistas e lideranças do Brasil, Caribe e países africanos para pensar a casa e o território como lugares de memória, pertencimento e continuidade. A mediação será conduzida pela artista indígena Juliana Xukuru, docente da UFPE, cuja prática articula arte, território, ancestralidade e saberes indígenas.
Mediação JULIANA XUKURU (PERNAMBUCO)
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Artista visual, ativista, docente e pesquisadora indígena do povo Xukuru de Cimbres, da Aldeia Mãe Maria, em Pesqueira (PE). Mestre em Artes Visuais, vive e trabalha entre Pernambuco e Paraíba. Sua prática artística e investigativa parte de perspectivas decoloniais, abordando a cosmovisão Xukuru, a relação com a natureza sagrada e os encantados, os deslocamentos e formas de exploração vivenciados por mulheres indígenas. Por meio da pintura, performance e outras linguagens, recupera saberes e referências tradicionais de seu povo, afirmando o corpo-mulher-território e a presença das mulheres indígenas e de seus saberes ancestrais em espaços historicamente pouco ocupados por elas.
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13.11
19h
Alianças Sul-Sul: movimentos culturais entre África, Américas Europa e o Sul Global nas artes
Que pontes culturais e políticas aproximam movimentos negros e indígenas no Brasil, Caribe, África e Europa? A mesa reúne artistas, ativistas e pesquisadores para pensar as alianças transnacionais como práticas de resistência, criação e circulação de saberes, e como elas se traduzem em ações artísticas e curatoriais. A mediação será conduzida pelo coletivo de artistas, performers e ativistas do Museo Afrovivientes.
Mediação HERMOSA INTERVENCIÓN (URUGUAY)
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Hermosa Intervención é um coletivo uruguaio criado em 2020, formado por 23 mulheres e dissidências afrodescendentes, indígenas, migrantes e LGBTIQ+ de diferentes regiões do país. Vinculado ao projeto Museu Afrovivente, promove espaços de aprendizagem e reflexão sobre opressões sistêmicas, recuperando vozes e valorizando comunidades historicamente invisibilizadas. A partir de uma perspectiva interseccional e de direitos humanos, busca fortalecer sua atuação como referência cultural, questionando estereótipos de gênero e étnico-raciais e reivindicando a diversidade cultural afro e indígena do Uruguai.
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18.11
19h
Comunidades como infraestrutura: práticas artísticas, ecologias de cuidado e formas coletivas de sustentar a cultura
Como comunidades racializadas constroem redes de cuidado econômico, emocional, espiritual e territorial que sustentam a vida para além das estruturas do Estado? Diante da especulação imobiliária e dos processos de deslocamento que apagam comunidades, histórias e memórias, como preservar narrativas que não podem ser substituídas ou reproduzidas? A mesa reúne artistas, educadores e ativistas de Porto Rico para pensar o coletivo como espaço de resistência, memória, criação e sobrevivência.
Mediação ARTISTAS E ENTIDADES (PORTO RICO)
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Casa Silvana é um museu localizado na zona rural de Humacao que atua no mapeamento e na representação de artistas e práticas artísticas afro-porto-riquenhas, sendo o único museu de Porto Rico dedicado à arte afrodescendente. Promove a preservação, pesquisa e difusão da produção artística de Porto Rico e da diáspora africana. Por meio da Afroteca, reúne referências para o estudo das artes visuais afrodescendentes. Desenvolve ações ligadas à memória, ancestralidade, identidade, soberania alimentar e valorização de saberes tradicionais. Com perspectiva decolonial, fortalece o meio rural, descentraliza a arte e amplia a presença da cultura afrodescendente no país.
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24.11
19h
Afrofuturismo e Afropresentismo: o que os algoritmos revelam sobre futuros negros que já estão presentes?
Como imaginários negros e indígenas projetam futuros que já se manifestam no presente? A mesa aproxima arte, tecnologia e pensamento crítico para discutir como algoritmos, imagens e novas tecnologias reproduzem, disputam ou ampliam esses imaginários. A partir de diferentes perspectivas, artistas e pensadores refletem sobre tecnologia como campo de disputa de narrativas, memória e poder. Que futuros são imaginados, por quem e a partir de quais dados, corpos e conhecimentos? A mediação será conduzida pela cientista de dados Zaika dos Santos, articulando tecnologia, representação e possibilidades de construção de futuros negros.
Mediação ZAIKA DOS SANTOS (MINAS GERAIS)
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Cientista de dados, especialista em inteligência artificial, artista multimídia, curadora, designer, arte-educadora e pesquisadora de tecnologias emergentes. Sua atuação articula arte, ciência e tecnologia a partir do Afrofuturismo, Africanfuturism, Afropresentismo, NFTs e Web 3.0. É fundadora da Afrofuturismo Arte e STEM, iniciativa que integra inovação, educação, STEAM, artes e design generativo. Atua nacional e internacionalmente na implementação e democratização de tecnologias emergentes em diferentes setores.
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30.11
19h
Reencantamento planetário: arte, espiritualidade e crise ambiental
Quando o colapso ambiental também revela um colapso espiritual, cultural e social, como a arte pode responder? A mesa propõe pensar o cuidado com o planeta como prática decolonial, articulando arte, arquitetura, ecologia, espiritualidade e modos comunitários de existência. Reunindo diferentes territórios e saberes, a conversa também tensiona o próprio modelo institucional da arte, a partir das experiências dos espaços e museus ocupados pela Bienal Black em Recife. Como transformar os espaços de arte em lugares de cuidado, convivência e reencantamento do mundo?
Mediação PATRÍCIA BRITO (RIO GRANDE DO SUL)
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A Bienal Black é uma iniciativa artística e curatorial construída a partir das residências da Black Brazil Art, entendidas como espaços de experimentação, pesquisa, troca de saberes e criação coletiva. Desde 2021, articula diferentes linguagens, territórios e perspectivas decoloniais e afro-diaspóricas, valorizando tanto os processos quanto as obras e fortalecendo redes entre artistas.
Idealizada e fundada por Patrícia Brito, curadora, museóloga, historiadora, crítica de arte e empreendedora, a Bienal reflete sua atuação na intersecção entre arte, memória e diversidade. Colaboradora da Enciclopédia Itaú Cultural e integrante do Mapa de Curadores(as) Negras(os) do Brasil, Patrícia foi indicada ao Prêmio Açorianos de Artes Visuais 2021 pela curadoria e produção da primeira Bienal. Sua trajetória articula pesquisa, crítica, práticas curatoriais e atuação em redes nacionais e internacionais, entre elas REBRAC, IAWM e ABCA.
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