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Texto curatorial

Curating text

Texto curatorial

EM PORTUGUES

AS CINCO PELES: corpo, território, mundo

  • UM LUGAR PARA HABITAR, NÃO APENAS VISITAR

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    O conceito da 4ª Bienal Black Brazil Art parte de uma ideia fundamental: o museu pode ser mais do que um lugar de passagem diante das obras. Pode ser um lugar de permanência, encontro e habitação. A partir do tema As Cinco Peles: Corpo, Território, Mundo, a exposição propõe uma arquitetura que não apenas apresenta as obras, mas cria condições para que o público ocupe o espaço e estabeleça com ele uma relação de pertencimento.

    As Cinco Peles — corpo, vestuário, casa, identidade social e mundo — não são traduzidas em ambientes isolados nem utilizadas como elementos ilustrativos. Elas percorrem a exposição como diferentes camadas de relação entre o indivíduo, o espaço e a coletividade. O conceito acompanha essa continuidade por meio de passagens, camadas, fragmentos, vazios e lugares de permanência. Chão, paredes, teto, escadas, vãos e estruturas temporárias tornam-se parte da narrativa. Elementos como terra, madeira, bambu, tecidos, estruturas vazadas e fragmentos arquitetônicos não procuram reproduzir literalmente uma casa, um quintal ou um território, mas produzir vestígios e situações capazes de deslocar a percepção convencional do museu.

    Essa concepção encontra correspondência nos próprios artistas selecionados para a Bienal. Seus trabalhos trazem diferentes formas de habitar — o corpo, a memória, a casa, o território, a ancestralidade, a comunidade e o mundo — e é a partir dessas poéticas que a exposição constrói suas relações espaciais. O conceito, portanto, não impõe um modo único de habitação: ele cria um campo de encontro entre as obras, a arquitetura e os corpos que atravessam o espaço.

    Para as Cinco Peles, habitar não constitui apenas um princípio curatorial, mas uma operação espacial. O corpo ocupa o território; o território atravessa a casa; a casa guarda o corpo; a identidade se constrói nas relações; e o mundo atravessa todas essas dimensões. As peles se sobrepõem, se transformam e permanecem em movimento.

    Por isso, "uma bienal para ser habitada, não apenas visitada" não é um slogan, mas um princípio de projeto. Habitar significa permitir pausas, alternar densidade e vazio, aproximação e distância, passagem e permanência. Significa reconhecer que uma exposição também pode produzir lugares de encontro, conversa, contemplação e convivência, sem deixar de ser um espaço de arte.

    A Bienal não pretende construir um cenário dentro do museu, mas fazer do próprio museu uma das superfícies de sua narrativa. A exposição atravessa o edifício e é atravessada por ele; as obras encontram a arquitetura, e a arquitetura encontra os corpos.

    Assim, a 4ª Bienal Black Brazil Art propõe um conceito que não explica as Cinco Peles, mas as coloca em operação: uma arquitetura temporária que transforma o percurso em experiência de ocupação e faz do museu não apenas o lugar onde as obras estão, mas o lugar que podemos habitar.

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    Patrícia Brito
    Curadora Geral

  • texto_curatorial_mamam.PT

IN ENGLISH

THE FIVE SKINS: body, territory, world

  • A PLACE TO INHABIT, NOT JUST TO VISIT

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    The concept of the 4th Bienal Black Brazil Art begins with a fundamental idea: the museum can be more than a place of passage in front of the artworks. It can be a place of permanence, encounter and dwelling. Based on the theme The Five Skins: Body, Territory, World, the exhibition proposes an architecture that not only presents the works, but creates conditions for the public to occupy the space and establish a relationship of belonging with it.

    The Five Skins — body, clothing, house, social identity and world — are not translated into isolated environments, nor used as illustrative elements. They run through the exhibition as different layers of relationship between the individual, space and the collective. The concept follows this continuity through passages, layers, fragments, voids and places of permanence. Floor, walls, ceiling, stairs, openings and temporary structures become part of the narrative. Elements such as earth, wood, bamboo, fabrics, openwork structures and architectural fragments do not seek to literally reproduce a house, a backyard or a territory, but to produce traces and situations capable of shifting the conventional perception of the museum.

    This conception finds correspondence in the very artists selected for the Biennial. Their works bring different ways of inhabiting — the body, memory, the home, territory, ancestry, community and the world — and it is from these poetics that the exhibition builds its spatial relationships. The concept, therefore, does not impose a single way of inhabiting: it creates a field of encounter between the artworks, the architecture and the bodies that pass through the space.

    For the Five Skins, inhabiting is not merely a curatorial principle, but a spatial operation. The body occupies the territory; the territory runs through the house; the house shelters the body; identity is built through relationships; and the world runs through all these dimensions. The skins overlap, transform and remain in motion.

    That is why "a biennial to be inhabited, not just visited" is not a slogan, but a design principle. To inhabit means allowing pauses, alternating density and emptiness, closeness and distance, passage and permanence. It means recognizing that an exhibition can also create places of encounter, conversation, contemplation and coexistence, without ceasing to be a space for art.

    The Biennial does not intend to build a stage set inside the museum, but to make the museum itself one of the surfaces of its narrative. The exhibition moves through the building and is moved through by it; the works meet the architecture, and the architecture meets the bodies.

    Thus, the 4th Bienal Black Brazil Art proposes a concept that does not explain the Five Skins, but puts them into operation: a temporary architecture that turns the route into an experience of occupation and makes the museum not only the place where the works are, but the place we can inhabit.

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    Patrícia Brito
    Chief Curator

  • text_curating_mamam.EN

EN ESPAÑOL

LAS CINCO PIELES: cuerpo, territorio, mundo

  • UN LUGAR PARA HABITAR, NO SOLO PARA VISITAR

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    El concepto de la 4.ª Bienal Black Brazil Art parte de una idea fundamental: el museo puede ser más que un lugar de paso frente a las obras. Puede ser un lugar de permanencia, encuentro y morada. A partir del tema Las Cinco Pieles: Cuerpo, Territorio, Mundo, la exposición propone una arquitectura que no solo presenta las obras, sino que crea condiciones para que el público ocupe el espacio y establezca con él una relación de pertenencia.

    Las Cinco Pieles — cuerpo, vestimenta, casa, identidad social y mundo — no se traducen en ambientes aislados ni se utilizan como elementos ilustrativos. Recorren la exposición como distintas capas de relación entre el individuo, el espacio y la colectividad. El concepto acompaña esa continuidad a través de pasajes, capas, fragmentos, vacíos y lugares de permanencia. Suelo, paredes, techo, escaleras, vanos y estructuras temporales pasan a formar parte de la narrativa. Elementos como tierra, madera, bambú, tejidos, estructuras caladas y fragmentos arquitectónicos no buscan reproducir literalmente una casa, un patio o un territorio, sino producir vestigios y situaciones capaces de desplazar la percepción convencional del museo.

    Esta concepción encuentra correspondencia en los propios artistas seleccionados para la Bienal. Sus trabajos traen distintas formas de habitar — el cuerpo, la memoria, la casa, el territorio, la ancestralidad, la comunidad y el mundo —, y es a partir de esas poéticas que la exposición construye sus relaciones espaciales. El concepto, por lo tanto, no impone un modo único de habitar: crea un campo de encuentro entre las obras, la arquitectura y los cuerpos que atraviesan el espacio.

    Para las Cinco Pieles, habitar no constituye solo un principio curatorial, sino una operación espacial. El cuerpo ocupa el territorio; el territorio atraviesa la casa; la casa resguarda el cuerpo; la identidad se construye en las relaciones; y el mundo atraviesa todas estas dimensiones. Las pieles se superponen, se transforman y permanecen en movimiento.

    Por eso, "una bienal para ser habitada, no solo visitada" no es un eslogan, sino un principio de proyecto. Habitar significa permitir pausas, alternar densidad y vacío, cercanía y distancia, paso y permanencia. Significa reconocer que una exposición también puede generar lugares de encuentro, conversación, contemplación y convivencia, sin dejar de ser un espacio de arte.

    La Bienal no pretende construir una escenografía dentro del museo, sino hacer del propio museo una de las superficies de su narrativa. La exposición atraviesa el edificio y es atravesada por él; las obras se encuentran con la arquitectura, y la arquitectura, con los cuerpos.

    Así, la 4.ª Bienal Black Brazil Art propone un concepto que no explica las Cinco Pieles, sino que las pone en operación: una arquitectura temporal que transforma el recorrido en una experiencia de ocupación y hace del museo no solo el lugar donde están las obras, sino el lugar que podemos habitar.

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    Patrícia Brito
    Curadora General

  • texto_curador_mamam.ES
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